você vai dominar o mundo.

porque acredito em sinais. unplash.

domingo - 04.11.18

Isso daqui é pra eu me lembrar quando o ano que vem passar muito rápido, vou ler essa mesma postagem e talvez pensar: "passou rápido" ou "nada mudou muito", é sempre a mesma coisa, ou um ou outro. Ultimamente sinto como se minha mente voasse de um lado para o outro 500 vezes por minuto, são muitos planos e muitos futuros, preocupações da vida adulta, desejo de voltar para ao momento em que saí da barriga da mãe ou talvez nunca ter saído dela. Acredite, não é um pensamento tão mórbido quanto parece. 

Aquele momento em que você pensa "poxa, estou muito adulta" sempre são ilusórios, a vida adulta é pior e pior, vai piorando, mas sempre depende do seu ponto de vista porque ela SEMPRE te surpreende. Ou não. O fato é: CARA, EU NÃO QUERO SER ADULTA, PAPAI DO CÉU. Eu jurava de pés juntos que nunca me preocuparia com casamento/ter filhos/ser bem sucedida financeiramente/será que um dia vou ter um carro? Esse tipo de coisa, mas fui tapeada. 

TIRAR A CARTEIRA OU NÃO, EIS A QUESTÃO.

Conversando com meus pais sobre meu futuro, minha mãe disse "o seu problema é que você quer fazer as coisas assim do nada" e NÃO, não é assim e poxa, como eu gostaria de ser impulsiva, mas não sou. Se, por exemplo, me surgiu a ideia de que preciso tirar a carteira de motorista, é porque eu não estou mais aguentando o fato de andar sob 31º de sol e pegar ônibus e gastar mais de 6 passagens por dia. Se isso surgiu, é porque por mais de 3 inifitos meses essa ideia me perseguiu, é sempre assim. Sou ansiosa e tenho vários problemas por causa do querido overthinking, então nenhuma ideia que eu coloco pra fora é DO NADA. Mas enfim, sem estresse, tire a carteira então. HA-HA. Sim, seria muito fácil simplesmente ir em uma autoescola e pá, começar a ter aulas, se não fosse o fato de ter cursinho pra pagar, trabalhar muito e ganhar pouco, faculdade pra terminar, pagar as contas... Entendem? E vamos lá, não faço parte da classe privilegiada brasileira que ok ganhar um carro com 18 anos, poxa, eu tenho 21 e nada. Até porque, hello! Não é como se eu fosse tirar um carro da cartola em vez de um coelho. RISOS.
         

TUDO COMEÇOU (A PIORAR) EM MAIO DE 2018

Certo, ainda não estamos na parte mais assustadora da minha vida. Desde o começo de 2018, decidi que ensinar não é muito minha profissão da vida. E eu sempre gosto de explicar isso para não me entenderem mal, então lá vai uma historinha básica da minha vida. 

Sou criada por pais que se formaram em cursos de licenciatura, minha mãe em Letras, meu pai em Matemática. Tive sempre dois gênios ao meu redor. Minha casa sempre foi cheia de livros, muitos mesmo. Fui crescendo, literalmente, em meio a livros. Lia todos os livros que via e sempre via minha mãe comprando mais e mais, tínhamos uma pequena biblioteca no corredor e ali foi o meu abrigo por um longo tempo. Meus pais sempre estudaram muito, meu pai está com 64 anos e ainda estuda para concursos públicos (ele não para, mesmo) e isso sempre me foi de muito orgulho. E é até hoje. Nunca deixou de ser. 

De certa forma, sempre venerei os professores como pessoas, além da sala de aula. Começou com meus pais, passou para os professores do ensino médio. Foi quando eu percebi: nossa, que legal. Eu poderia ser professora. E assim se deu. Fiz o vestibular em 2014, no segundo semestre de 2015 estava na universidade estadual. Meus pais não queriam que eu escolhesse Letras (sim!), mas depois se acostumaram com a ideia, nunca me proibiram de nada. Continuei. Estou no 7º período, 70% do curso em mãos, feito. Em maio tive meu primeiríssimo estágio não obrigatório em escola pública, uma turma de 6º ano, sabe a turma que ninguém pegou? Pois é. Foi um trauma bem grandão. Não digo por não ser legal e cheio de flores, mas porque envolveu muito esforço psicológico para concluir aquele estágio, pensava em desistir toda vez que chegava o bendito dia de ir para a escola. Foi um inferno. Estou sendo realista. Saí doente (muito real) da primeira aula que ministrei e fiquei dias sem conseguir falar (!!!), porque eu não dava aula, eu gritava a aula, saca? Toda a aula que planejávamos (o estágio era em dupla) dava errado de alguma forma. A turma não era muito receptiva, muitos problemas surgiram durante as aulas e, mesmo tendo recebido dicas e preparação de qualidade pelos professores orientadores, não deixou de ser uma experiência traumática. Mas até aí, okay. Concluí o estágio. 

Durante os mesmos meses, conheci alguém INCRÍVEL. Pessoa essa que era nova, estudou na mesma escola de ensino médio que eu, essa pessoa passou em um concurso super concorrido aos 19 anos de idade. Não acha possível? Pois é. Essa pessoa também ganharia (por causa do concurso) 4 mil por mês para estudar, apenas. 19 anos com 4k por mês. Até aí okay, nunca me apeguei a sonhos super materiais, job dos sonhos, conta bancária recheada sempre foi algo "tá bom, próximo" para mim. O que me conquistou nisso tudo foi como a pessoa fazia aquilo, sabe? É uma pessoa muito dedicada. No tempo, cuidava do avô doente, tinha desistido da faculdade que fazia para fazer outra, trabalhava junto comigo por meio período, estava sempre ocupada por diversos motivos, mas nunca a via reclamando de NADA. Eu pensava: "deve ser cansativo". Uma vez perguntei: "não cansa?" e a mesma pessoa respondeu "a vida é assim, se não fosse louca, cansativa e se não exigisse ocupações por 24hrs, não seria minha vida" e dizia isso com um sorriso no rosto. Era uma pessoa exemplar (continua sendo), sempre prestativa, muito inteligente, persistente por espírito. Aquilo me conquistou. Mas enfim, a entrada dessa pessoa  me fez repensar sobre como eu estava vivendo a minha vida, não tinha nenhum sonho em específico, não tinha uma relação próxima com a minha família, não pensava em ser melhor. Aquela pessoa, sim, sempre dava o seu melhor, sempre queria fazer as coisas da melhor forma, aquela pessoa queria ser lembrada. Então, eu me disse "eu quero ser lembrada também, por alguma coisa. Quero que as pessoas olhem para mim e vejam uma pessoa dedicada, esforçada, que apesar das dificuldades está sempre sorrindo e encarando as coisas como elas são." E gente, somos influenciados pelo meio. Somos influenciados pelas pessoas ao nosso redor. E vi isso de uma forma positiva. Poxa, é tão raro encontrar alguém que me impulsione a ser melhor, imagino que seja o mesmo com vocês. Um novo mundo se abriu para mim naqueles meses de janeiro a maio. E sim, é claro, a estrada daquela pessoa era completamente diferente da minha, mas mesmo assim nossas estradas se cruzaram para um bem maior, para me mostrar alguma coisa.

Não pense que eu perdi o fio da meada, isso tudo tem a ver com o que vem a seguir. 


Em maio, eu já tinha iniciado o famigerado estágio, já estava tendo experiências turbulentas. E minha vida emocional não estava à la mil maravilhas. Resumindo: tudo estava mal. Só que aquela pessoa me fez acordar. Eu percebi "ei, não quero isso, posso mudar e vou mudar" e "poxa, eu preciso mesmo reclamar de tudo ao meu redor?" e "cara, preciso ter uma relação mais saudável com a minha família". Foi então que eu comecei o plano de mudar um pouco a minha vida, adotei a gratidão em vez de reclamação 24/7. Me fez bem. Comecei a pensar o que faria já que não queria ser professora para a vida. Tive problemas grandes no trabalho e saí dele para procurar um melhor. Arranjei um trabalho melhor, como professora (ironias do acaso) em uma escola de idiomas, a mesma escola de idiomas em que me formei, a mesma escola de idiomas que frequentei durante uns 9 anos até me formar, meu sonho de infância era trabalhar lá e consegui. Então eu percebi que os meus sonhos de infância não continuavam os mesmos, prometi que seria temporário e está sendo. Não é um trabalho que eu odeio, não chega perto disso, nem um pouco perto. Tenho uma rotina de trabalho bem flexível, colegas de trabalho engraçados, sem muita pressão e alunos tranquilos. Isso tudo ajudou desde o dia que decidi tentar estudar para o vestibular novamente. 

VESTIBULANDA MODE ON

Sim, me achem louca ou não. Decidi que, se Letras não era meu objetivo, iria tentar outra coisa, eu tinha que fazer isso. Afinal, nada iria surgir do acaso ou de mão beijada, a vida não é assim. Você tem que ir atrás. Com a minha decisão de mudar a vida, voltar a prestar vestibular foi uma das melhores coisas que me veio em mente. Tá, mas qual curso eu escolhi? Bom, isso é segredo para muitos, mas não para quem lê meu blog super hiper mega pessoal, ha-ha.


Direito. Sim, esse sempre foi o minha segunda opção desde 2014, mas eu sempre achei meio "uh, ok". Só que parei, estudei, pensei, conversei com pessoas da área, pensei de novo, orei, meditei e tirei essa conclusão. Bom, é isso. É isso que quero para a minha vida. E poxa, sei que quando entrar na faculdade de Direito metade dos meus problemas ainda não serão resolvidos, mas pelo menos uma coisa eu já vou ter feito. Esse é um dos grandes objetivos que tenho daqui para frente: fazer Direito. Já pensei em carreiras e posso dizer que muitas áreas me atraem, mas antes de dar a louca pensando nisso, preciso passar primeiro. Prioridades.  

Fonte.
Você está se perguntando quando isso tudo aconteceu? Começou em maio, mas tive a certeza concreta em julho, mês do meu aniversário, mês sempre mais introspectivo do que o normal. Em questão de semanas já tinha assinado dois cursinhos online, feito alterações na meu local de estudos, me cercado de pessoas com o mesmo objetivo que o meu ou até pessoas muito mais além de mim (para me mostrar que todo sonho é possível), elaborei planos de estudos, encarei a matemática como algo objetivo (eu tenho que aprender para passar, sem frescura #éisto), comprei diversos materiais que me ajudariam a estudar, lotei a parede de post-it, comecei a estudar das 5 da manhã às 22 da noite (com exceção de quando estou no trabalho ou na faculdade, os livros são minha vida agora) . Tem funcionado. No dia 21 de outubro, prestei a primeira fase do PAES 2019, vestibular tradicional da estadual, e eu tinha a certeza de que não passaria. Considerei que muitas pessoas tinham se preparado antes de mim, pro mesmo curso que eu (com 89 pessoas por vaga) e constatei "esse não vai ser meu ano, mas os próximos podem ser :)". Ainda assim, fiz uma pontuação ótima, atingi objetivos antes impensados por mim. Fui me tornando outra pessoa. Mais determinada e objetiva. Continuo me tornando, mas convenhamos que há um caminho bem longo pela frente. 

Mas tá, e Letras? Pois é, os dilemas não acabam por aí. Depois que comecei a estudar, surgiram diversas influências que me mostraram que sim, meus planos podem dar certo e vão dar certo se eu continuar no ritmo, maaaaas... Como tudo na vida, foram surgindo obstáculos. Depois de um tempo, comecei a sentir um desconforto na aula de um professor em específico (roll eyes) que me desmotivou a continuar no curso de Letras, pensei em desistir demais e vejamos, até algumas semanas atrás, minha decisão era essa: desistir completamente de Letras. Isso mudou completamente depois de (DE NOVO, MAIS UMA VEZ) conhecer algumas pessoas que me fizeram pensar sobre como os obstáculos estão aí para serem ultrapassados mesmo. Um dos vídeos que me indicaram foi do Bruce Lee:


Um discurso sobre resiliência, sobre se adaptar para vencer a situação que parece te impedir de realizar algo, sobre se moldar para atingir um objetivo. Enquanto naqueles dias eu sentia um extremo sentimento de não pertencimento àquelas aulas, hoje vejo como parte de um processo que irei ter que finalizar. É isso. Decidi terminar o curso e seguir o fluxo das coisas, sem ansiedades ou estresse. Uma coisa de cada vez. Meu sonho continua sendo grande e realizável em qualquer momento. Be water, my friend.

PARANOIAS SURGEM AGAIN.

Então, depois desse longo e triste quase-monólogo-se-não-fosse-pelo-bruce-lee.mp3 eu volto ao ponto inicial: tirar a carteira de motorista. É algo que ainda está me atormentando no momento, mais do que o normal. O caso é que eu sinto uma vontade de finalmente adquirir certa liberdade, entende? E de alguma forma, colocar esses sonhos em ação tem me ajudado a formar quem eu sou. Antes, eu não tinha o sonho de pegar em um carro para dirigir, tinha um pouco de receio e um pouco de indiferença. Hoje, além da extrema necessidade de ficar o dia fora de casa correndo de um lado para outro, sinto que talvez não seria uma má ideia, dirigir poderia ser legal. É por isso que na última semana procurei alguns lugares com preços bons (bons, não baratos, infelizmente) para quem sabe, né? E acho que isso realmente vai acontecer, mas para isso, eu teria que sacrificar uns quatro meses de cursinho. Se bem que eu sei que com o cursinho pela noite, a vida seria muito mais corrida e não gostaria de perder essa preparação, mas eu também sei que não é nada que eu não possa fazer sozinha como fiz no começo deste ano. Dilemas, meus amigos. Mas até 2015 eu me decido, RISOS. Depois que eu decido, fica mais fácil, eu consigo me focar muito bem no que eu quero.

CONCLUSION?!

Que conclusão o quê, rapaz. Nada disso. Tudo continua muito bagunçado na minha cabeça e se enganou quem pensou que esse post teria um final digno, porque não tem. Ainda continuo pensando em 500 coisas por segundo. É a vida de adulto. Acho que finalmente A FASE me atingiu, será até quando vai durar? 

Isso me faz lembrar de um dos meus musicais favoritos, Dear Evan Hansen. Um dia venho falar dele por aqui, porque esse post já tá virando algo parecido com uma Bíblia, mas NÃO ERA O OBJETIVO, JURO. Taí um trecho de uma das músicas: 

"On the outside, always looking in, will I ever be more than I've always been? 'Cause I'm tap, tap, tapping on the glass, I'm waving through a window..."


Finalizo dizendo que escrevi esse textão depois de muito tempo e ainda não foi um terço do que aconteceu nos últimos meses. Não dá para prometer que vou ser mais ativa no blog, mas abandonado este canto nunca será. Escrevi isso para minha eu do futuro, para mostrar para ela que sou ainda uma menina de 21 anos com muitos sonhos e não quero perder essa essência, a minha menina que acordou para a vida, querendo ser melhor e querendo realizar todos os sonhos de uma vez, sem saber muito bem que a vida tem o tempo preciso para tudo. O que eu desejo para a minha eu do futuro, de 22 anos #sedeusquiserquaseformada, é isso: que ela continue com o sonho de ser MELHOR, de fazer bem tudo o que fizer, sabendo que os arrependimentos existem em qualquer lugar do mundo, bem como a beleza existe em tudo, que Deus está em tudo também, não quero que ela abandone essa força que a manteve forte no momento em que ninguém manteve. E, por fim, VOCÊ VAI DOMINAR O MUNDO, MENINA. O SEU MUNDO. ENTÃO SÓ CONTINUA. ISSO É O SUFICIENTE. PARA DE CHORAR E VAI TRABALHAR, DEPOIS TU AINDA VAI ME AGRADECER. 

Ufa, tchau.

Comentários

  1. Eu li tudo, juro! <3

    Sabe, eu compartilho do mesmo pensamento de que a vida adulta chegou, a minha cabeça está um caos e o resultado disso está sendo VÁRIOS problemas de saúde :( pois é, não tá fácil. Eu ainda não fiz o estágio, mas tenho pensado muito se o curso de Letras é para mim mesmo, se ser professora é o que eu quero para a vida toda. Bom, para a vida toda eu sei que não é, mas pode ser por pelo menos uma parte dela. Tenho pesquisado outros cursos, me encantando com alguns, mas ainda assim fico insegura e com dúvidas, muitas dúvidas. Ao contrário de muita gente, eu não poderia NUNCA largar o curso agora e fazer outro, a minha realidade é outra, tenho que formar nesse, trabalhar e pagar outro curso. Não que isso me desanime, pelo contrário, estou ficando ainda mais animada para me formar logo e poder fazer algo que eu REALMENTE goste. Claro, nem tudo são flores, tenho muitos medos em relação a dar aulas, não sei como vai ser, maaaas desistir não é uma escolha. Enfim, Haise, torço muito por você! Gosto muito de você, sério. Boa sorte para nós <3

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    1. sempre é muito bom ver teu comentário por aqui, aquece o coração <3 e é isso aí, pega as coisas que parecem "atrapalhar" e transforma sempre em algo que vai fortalecer o teu caminho, sem pressa e sem estresse, tudo vem na paz! desejo que teu estágio seja esclarecedor como o meu foi, vai que acontece contigo o contrário que aconteceu comigo e tu finalmente se ache nisso e saiba que é isso que você quer fazer pra vida?! tudo é possível e eu sei que você vai conseguir. <33

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