Momentos.


Bom, tem sempre algo muito confuso sobre começar um novo ano e terminar outro. Ou você tem a impressão de que fez muitas coisas, concluiu muitas metas ou tem certeza de que não fez nada do que queria ter feito. Ou esses dois sentimentos juntos e misturados, é sempre possível. Entre muitos trabalhos e notas de final de semestre na faculdade, eu tive a ideia de escrever esse texto.

As últimas semanas de novembro e o começo de dezembro foram bem conturbadas para mim, mas não externamente. Quem me conhece pessoalmente deve não ter notado tantas diferenças físicas, além de algumas (muitas) espinhas no rosto, uma certa inquietação e o famoso mau humor. 

Eu não sei que magia é essa que atua nos últimos meses de todo santo ano, mas eu sempre começo a ficar reflexiva nessa época, mesmo que eu não queira ficar. E, sim, eu sei que acontece com boa parte dos habitantes do MUNDO, mas eu não deixo de pensar que isso é meio que essencial (?) pras nossas vidas.

Sei lá, sempre chega um momento em que a gente tem que se questionar acerca de nós mesmos e de quem está do nosso lado. Isso é bom, porque em um ano acontecem muitas coisas positivas e negativas. É maravilhoso sentir que algo está mudando, é bom renovar as esperanças, é indispensável pensar no que está realmente está te fazendo bem e se livrar daquilo que está te prejudicando emocionalmente.


Eu estaria mentindo se dissesse que 2017 foi um ano maravilhoso, porque: não foi, não mesmo, longe disso. Acredito que este ano foi uma mistura de ansiedade e um quase surto depressivo o tempo inteiro, foi um ano que eu me redescobri emocionalmente da pior forma possível e eu precisei muito de alguém, de algo pra me segurar e não achei. Daí nesses momentos reflexivos que vem a questão: como eu consegui chegar até aqui sem ninguém pra me ajudar a passar por todos os piores momentos? Pois é. Eu me segurei em mim. Okay, eu era uma casa quebrada, caindo aos pedaços, cheia de rachaduras e mesmo assim eu arrisquei ficar sozinha. E essa é uma das lições da vida, você quase sempre está sozinha e você tem que saber lidar consigo. Eu aprendi a lidar comigo nos meus momentos ansiosos e, agora (só agora mesmo, neste instante) acredito que poderei me virar nos tantos outros bad days que vão aparecer. 

(Mas veja só, eu não estou dizendo que não preciso de alguém, porque isso é uma mentira das grandes, você não consegue viver sozinho o tempo todo, uma hora você vai ter que sair do seu lugar mais confortável e enfrentar situações perigosas, que vão exigir muito de ti. Porém, quando você se conhece, tudo fica mais suportável.)

E eu tô falando disso porque faz um tempão que eu não me sentia tão em paz, talvez seja só o efeito das férias e toda a loucura recomece no ano que vem, mas eu quero lembrar deste momento lá na frente. Eu quero lembrar dos meus dias em paz. Todo mundo que faz/fez faculdade sabe que esse treco é um lugar em que se encontram mais pessoas egoístas e manipuladoras concentradas por m², em 2017 eu percebi que não adianta o quão de boas você for, vai ter sempre alguém chato e egocêntrico pra fazer graça. Em 2017, eu aprendi que são poucas as relações de amizade que sobrevivem depois da faculdade (isso é bem relativo, okay?), eu ainda não terminei a minha graduação, mas já sei que vou sair dali só com lembranças (foi triste descobrir isso). O que é prazeroso nos dois ou três primeiros períodos, se torna algo cansativo e plástico, é como se todo mundo quisesse tirar vantagem em cima dos outros e quem não quer: sofre na mão dos que querem. Se eu estiver errada, daqui a uns dois anos, coloco uma nota no final do post. 

Mensagens de 2017 para 2018 ou o que eu fiz/aprendi:
  • eu quis engordar e engordei uns 2/3 quilos, estes que logo se perderam depois. Mesmo assim, foi uma realização e tanto, sempre fui muito magra;
  • memórias são memórias, elas não podem fazer mal ao meu futuro;
  • quanto mais eu pensar positivo, mais acontecimentos positivos podem vir;
  • aprendi a evitar ligar coisas a pessoas, faz um mal danado;
  • a ansiedade existe e eu também;
  • eu posso conseguir amizades valiosas;
  • aprendi a perder alguns sonhos;
  • ter paciência, mais paciência, muita paciência. 
Eu devo ter aprendido muito mais, afinal, foram mais de 300 dias e é impossível sair ileso do tempo. Todos esses sentimentos me trouxeram nostalgia e reflexões sobre mim, sobre o que eu faço e com quem eu vivo, mas aqui eu quero deixar uma esperança para a eu do futuro. Tudo passa, o tempo é sutil e as pessoas não duram o eterno. Eu preciso continuar, superar, viver. 

Comentários

  1. Oi, Haise!

    Compartilho desse mesmo sentimento de ficar reflexiva no final do ano, tanto que na virada eu fico BEM na bad e nunca comemoro esse dia. Prefiro ficar na minha, no quarto, pensando em tudo que aconteceu durante o ano, e não vejo razão em comemorar um ano que está vindo, um ano que nem sei como vai ser.

    Enfim, gosto de textos assim!

    Beijão

    Cantinho da Escrita

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  2. Amei conhecer seu blog e ver tanta coisa linda. Gostei muito do seu texto!

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  3. Acho que esse efeito reflexivo de fim de ano é uma bênção e uma maldição. Pensar geralmente me deixa ansiosa, louca pra parar de pensar e começar a fazer, mas também serve pra gente pensar nos nossos erros e aprendizados e numa forma de evoluir a partir disso (que foi exatamente o que você fez).
    Espero que 2018 seja mais leve e que você consiga manter esse sentimento de paz.

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  4. Também sinto isso nos finais de anos, mas sempre tenho a sensação de que minha vida não é completa, que eu não sou livre da maneira que quero ser e tudo isso acontece pq tenho muito medo da vida. Todos os anos eu promete que vou vencer meus medos e todo ano fracasso. Acho que tudo vai mudar se eu seguir esse conselho seu: "quanto mais eu pensar positivo, mais acontecimentos positivos podem vir", eu realmente acredito nisso, o difícil é pôr em prática.
    Mas vamos que vamos, somos muito novas para ficar moribundeando por aí hehehe.

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  5. Olá!
    Caramba, que texto. Me identifiquei muito com ele. 2017 foi um ano ok para mim (acho que passou tão rápido que nem tive tempo para refletir sobre o que estava acontecendo comigo), mas em compensação 2016 foi péssimo. Senti completamente tudo o que você citou no texto e tenho que concordar: conhecer a si mesmo é a melhor coisa. Acho que vemos quais são os nossos limites e aprendemos a conviver mais em harmonia com nossa própria mente e corpo.
    Eu espero muito que 2018 seja diferente e de várias realizações!
    Adorei conhecer o seu blog, achei muito lindo :)

    Beijos!
    our-constellations.blogspot.com.br

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